Juno, sobre meninos e lobas
Depois do sucesso de Pequena Miss Sunshine, que rendeu o artigo mais visitado desse blog até hoje, esse ano foi a vez de Juno, dirigido por Jason Reitman (do excelente Obrigado por fumar), ser a surpresa do ano - vários paralelos existem: são ambos filmes simples, com baixo orçamento, despretensiosos, que por meio da comédia tocam temas sérios. Mais ainda, ambos foram indicados em 4 categorias do Oscar cada um: Miss Sunshine para melhor filme, roteiro original (Michael Arndt), ator (Alan Arkin) e atriz (Abigail Breslin) coadjuvantes, levando ator coadjuvante e roteiro, enquanto Juno foi indicada para melhor filme, direção, atriz coadjuvante (Ellen Page) e roteiro original (Diablo Cody), com o qual foi laureado.
A trama conta o desenrolar de uma gestação indesejada da adolescente Juno, que decide entregar o filho numa adoção combinada para um casal rico que encontra nos classificados. Entremeado com muitas piadas bem sacadas nos diálogos e nas situações está escondido o tema do filme: a maturidade. Mais especificamente, a maturidade feminina diante dos eternos garotos que são os homens: ao lado do adolescente que se deixa levar pelas circunstâncias, do marido inseguro e do pai bonachão encontramos a adolescente determinada, a esposa decidida e a madrasta enérgica. Diante dos dilemas da existência, da insegurança que é viver, enquanto eles hesitam, elas agem.
Não sei se era o tema central do filme, mas foi o que me chamou atenção. Coincidência ou não, o roteiro foi escrito por uma “recém-escritora”que até há pouco era stripper (por opção, e não falta de) e que recebia todo apoio do namorado em sua profissão. Com certeza não é só de Juno que o filme está falando.