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CQC - Ainda não pegou

Domingo, 13 de Abril de 2008

Custe o que Custar, CQC para os iniciados, é o novo programa da TV Band, que vai ao ar às segundas-feiras, 22h30.
Com formato importado da Argentina, no Brasil é apresentado por Marcelo Tas, Rafinha Bastos e Marco Luque, recheado com conteúdo nacional.
A bem vinda proposta de mesclar jornalismo com humor aparentemente ainda não encontrou o tom - apesar de alguns bons momentos, na maior parte do tempo nem o jornalismo esclarece nem o humor diverte. Os apresentadores e repórteres, oriundos em grande parte do teatro e do stand-up comedy, parecem ainda deslocados na função jornalística e não conseguiram acertar a mão na ironia, quer no estúdio ao vivo ou nas reportagens de rua.
Mesmo a idéia de fazer entrevistas com “humor inteligente” não se concretizou por enquanto, pois depois da primeira pergunta ao entrevistado, normalmente ligada a um fato de repercussão - o que é supostamente responsável pelo aspecto inteligente - a conversa caminha para o esculacho, aproximando o programa a um pastiche do Pânico.
É cedo para dizer que deu errado, mas está claro que, para sobreviver, o CQC terá que ajustar melhor o balanço entre riso e seriedade.

Reflexo condicionado na novela das oito

Segunda, 18 de Junho de 2007

Quando era pequeno sempre ouvi a frase “Não pode elogiar que estraga…”
Essa lógica inverte os postulados mais básicos do aprendizado: entre punir um comportamento errado para extingüi-lo e premiar o comportamento correto para reforçá-lo, este último é sabidamente o meio mais eficaz para treinamento e aprendizado, quer de cobaias, quer de humanos. A sensação de prazer gerada pelo o sistema de recompensa de nosso cérebro quando somos premiados (com qualquer tipo de prêmio, de dinheiro e elogios) leva-nos instintivamente a buscar repetidamente tal sensação, o que nos impele a repetir o comportamento que elicitou o prêmio (é o mesmo mecanismo que leva aos vários vícios, por exemplo). Esse estímulo é mais forte do que o desprazer gerado pela punição a comportamentos errados, por isso mais eficaz no condicionamento.
Tudo isso para dizer que, embora não acredite que basta elogiar para estragar, foi só elogiar a novela para a coisa desandar.
Explico-me: embora Wagner Moura continue a ser, em minha opinião, um dos melhores atores em atividade, a tensão que ele tinha que exprimir em seu personagem enquanto vivenciava o conflito de se apaixonar por uma prostituta acabou quando eles assumiram um caso. Agora as cenas resumem-se ao romantismo infantil de qualquer outra novela, qualquer outro ator.
Talvez seja esperar muito das novelas que mantenham um padrão de excelência dramatúrgica por mais de uma semana. Agora é voltar a fazer como disse Groucho Marx: “A televisão é muito educativa. Toda vez que alguém a liga, vou para meu quarto ler um livro”. Ao menos foi bom enquanto durou.

Confissões

Sexta, 8 de Junho de 2007

Chega uma hora em que não adianta mais mentir, dissimular, tentar esconder - só nos resta admitir, entre o constrangido e amedrontado, que estamos sabendo o que acontece na novela das oito.
“Sabendo o que acontece” é um grande eufemismo para “acompanhando”, no fim das contas - só sabe o que acontece quem assiste, no mínimo, regularmente. E eu admito - ainda que não tenha detalhes sobre todas as tramas paralelas da novelas, sei muito bem quais os desdobramentos das principais histórias, e, já que confessei, é sobre uma delas que vale a pena falar.
Wagner Moura e Camila Pitanga vêm protagonizando as cenas mais bem interpretadas que tenho visto na TV brasileira. Para os que têm vergonha de assistir, explica-se: ela é a prostituta Bebel e ele o alto executivo (Olavo) que passou a ser seu cliente mais assíduo. A novela mostra as tensões envolvidas nesse relacionamento - Bebel joga para que ele se apaixone por ela, mas apesar de estar jogando, acaba romanceando a situação. Olavo deixa claro que a relação é apenas comercial/sexual, mas não consegue evitar de sentir, além da atração, carinho por ela.
Aqui está a jóia da coroa: ambos atores, e sobretudo ele, conseguem expressar a ambigüidade de sentimentos de maneira primorosa, num show de atuação.
Para aqueles que precisavam de uma desculpa, aí está uma boa: acompanhando a atuação de Wagner Moura garante-se contato com um dos melhores atores em atividade no país.